Amor de mãe, amor de filho

Amor de mãe, amor de filho

Adoro ser chamada por apelidos carinhosos: mamãe doida, mamis, mimis, gostosona (sim, essa é uma das formas que meu filho me chama). Perco o chão quando ele diz que me ama; “do tamanho do céu”,”maior que tudo”, “muuuuuito”.  Amo as demonstrações espontâneas de carinho, seja no café da manhã, no carro, no sofá. Amo ser mãe. Por isso, quero dividir algo que ilustra todo o amor que nos liga – mães e filhos – num cordão umbilical invisível eterno (assim espero!)… Ele ditou, a professora escreveu, ele assinou.


Animal sim, máquina de parir nunca

Animal sim, máquina de parir nunca

parcela nisso, pois deu a luz a cinco, todos vindos ao mundo assim. Minha irmã teve um casal da mesma forma. Lindo, para mim é lindo. A maneira mais clara de enxergar como a natureza existe e é perfeita.

Mas muita gente prefere ignorar o natural e partir logo para o artificial. Perdem muito por fazê-lo. Ao contrário do que dizem por aí, a cesárea não é mais fácil, é mais difícil. Para a mulher, que costuma ter um processo de recuperação mais lento e doloroso, e para o bebê, que, entre outras coisas, não entra em contato com bactérias boas para seu sistema imunológico presentes, sim, na vagina da parturiente.

Há outras tantas razões pela qual o parto normal (com ou sem anestesia) é mais indicado. Eu não vou discutir nenhuma delas. Apenas contar a minha história. Não para meu filho, pois para ele contarei pessoalmente e com mais detalhes, mas para outras futuras mamães que estão longe não só de mim, mas da melhor coisa que pode acontecer a elas. Para, talvez, encorajá-las a passar pela experiência mais incrível e que só elas podem passar. E que fique claro a todas: a mulher que tem parto normal não é melhor que a que não tem, é o parto normal que é melhor para ela, e para o filho.

Não é justo julgar quem acaba tendo que passar pela cesárea, afinal há inúmeras razões médicas para que isso aconteça, o que não diminui nenhuma mãe. Mas sei que há muitas mulheres que acabam sendo convencidas pelos médicos a se submeter à cirurgia sem precisar. Muitos, se não inventam desculpas convincentes e fora do alcance do conhecimento leigo da gestante, influenciam a paciente em um momento de fragilidade dela. Outros nem precisam, pois já encontram no medo e na falta de informação da mãe o eco para sua fala.

Animal sim, máquina de parir nunca

Falo isso porque cheguei a ter uma pequena experiência com um obstetra, escutei inúmeros relatos do que falei acima e já produzi uma reportagem sobre o tema, com direito a depoimento de médico renomado dizendo o quanto a mulher pode e deve passar pelo natural e o quanto profissionais de saúde dificultam essa “passagem”. Já falei com doulas, com psicólogas, obstetras e mães que trocaram de médico mesmo estando no fim da gestação em busca de um tratamento mais humano e respeitoso.

Quando eu engravidei, a primeira idéia que me passou em mente na hora de escolher o obstetra foi a disposição dele em realizar partos normais, pois sempre soube que a maioria se sente confortável em agendar a vinda ao mundo de quem não marcou horário para chegar. Tanto foi que mudei de médico, pois ouvi deste primeiro algo como: “Ah, quase todos os partos que faço são cesáreas, é mais fácil né Aninha?”. Já o segundo profissional que procurei eu sabia que era a favor do normal, pois tinha realizado dois só na minha família. E, no consultório dele, cheguei logo dizendo que era esse o motivo de eu estar ali. Pronto, foi o começo.

Li e reli muito, em livros, na Internet, em revistas. Fiz Yoga desde o quinto mês, caminhei e conversei muito com meu filho quando ele estava aqui dentro. Muitas pessoas me diziam para mentalizar de maneira positiva e eu mentalizava, imaginando a cena da forma como eu queria, priorizando a minha imagem bem tranquila e sem dor.

É claro que tive medo do parto. Muito. Ficava ansiosa, falava disso o tempo todo a ponto de meu marido dizer que eu não precisava me preocupar. A resposta? “É porque não é você que vai passar por isso!”. Eu tinha receio da anestesia, mais do que de qualquer outra coisa. A dor eu nem conseguia imaginar, então insistia com o médico em não ser anestesiada. Ele disse que eu tomaria a decisão, mas que não tinha razões para eu sentir dor. Esse assunto deixei para a hora do vamos que vamos, afinal há muitas coisas que não há como prever.

Me preparei para o parto normal, mas também tentei me preparar para a possibilidade de não poder ser assim. Escutei histórias de mulheres que não conseguiram e uma delas me disse que ficou muito frustrada. Por isso, eu ao menos tentava pensar que se não desse era porque não era para ser. Mas preciso admitir que eu não estava preparada para não ser.

No final da gravidez, lá pela trigésima oitava semana, sentia “lá embaixo” se abrindo enquanto eu andava, mas não sentia mais nada, nem aquelas contrações de “treininho”. Mas passei uma semana com intestino solto, sintoma de trabalho de parto para algumas mulheres. Na sexta-feira, passei a madrugada com dor de barriga. Até as 5 da manhã sofri quieta porque achava  que eram só cólicas intestinais, até que percebi a barriga ficando dura. Chamei meu marido, que queria me levar para a maternidade, já que ficava a uma hora de nossa casa. Tentei esperar para ver se era mesmo o caso e… vomitei! Aí ligamos para o médico e ele pediu que fossemos para a maternidade.

No caminho, contrações a cada cinco minutos! Uma dor que aumentava conforme meu nervoso. Respiração de Yoga. Chegamos. Me levaram para examinar e eu estava com um dedo de dilatação. Fui para o quarto, mais calma e com quase nada de dor. Médico pediu para eu continuar marcando as contrações e eu marquei, o que mostrou que elas vinham, mas não duravam o suficiente para “empurrar” meu bebê lá para baixo. Mais exames para saber se o feto estava em sofrimento e ele não estava.

Fim de tarde, contrações fracas, pouca dor nas costas e a pergunta se eu queria induzir o parto. Eu, preocupada em acabar fazendo cesárea, perguntei logo: “Ai, doutor, você tá querendo cortar minha barriga né?”. Ele, um amor de profissional e ser humano, me explicou que não, que a decisão era minha. Eu, preocupada se a minha insistência poderia causar algum dano ao neném, perguntei se isso podia de fato acontecer. O obstetra, todo paciente, sentado na maca ao meu lado, disse que ele não me daria chance de escolha se a vida do Léo estivesse em risco. E conversou comigo mais um pouco, me tranquilizando, explicando que eu podia voltar para a casa e esperar a hora. Voltei. Saí do quarto com a sensação de que eu havia falhado, ou melhor, de que eu ainda não tinha obtido o que eu queria do jeito que eu queria. Poxa, todos saindo com bebê nos braços e nós com as malas intactas e mais um cabide da mãe exageradamente preparada! Foi até engraçado…

Fiquei mais uma semana na casa da minha mãe, mais próxima do hospital, sem dor, sem nem contrações fracas, só com a vontade de ver a carinha do bebê. Diziam que eu era corajosa, outros que teriam feito logo a cesárea. Eu estava mais do que certa que era para esperar. Sexta-feira seguinte, consulta e constação de que estava com quatro para cinco centímetros de dilatação, só que ainda não havia o encaixe. Surgiu a pergunta se eu queria tentar induzir. Surgiu a resposta, depois de mais e mais perguntas, que eu queria sim. A ansiedade era imensa, o marido estava há uma semana longe e eu senti que ia ser naquele dia. Médico me deu muitas certezas de que o normal viria. Talvez se fosse hoje eu esperaria ainda mais para tudo acontecer naturalmente mesmo. Talvez eu teria mais paciência, menos ansiedade. Mas eu fui para a maternidade, como se fosse cesárea, sem dor, sem bolsa rompida.

Cheguei por voltas das três da tarde, me instalei e fui logo tomando a oxitocina para induzir. Não fez nem cócegas. Médico vem examina, volta, vem examina de novo, volta e me diz que vamos para a sala de parto, pois já tinha mais dilatação (acho que sete). Pelo meu ritmo, ainda iria demorar mais e, por isso, o obstetra disse que era melhor eu tomar anestesia. Isso faria o colo do útero relaxar e, junto com o rompimento da bolsa, faria o “preguiçoso” descer. Foi o que aconteceu. Depois da anestesia (tranquila e sem razões para meu medo), o médico rompeu a bolsa e ficou lá sentado esperando. Aí sim eu senti dores, contrações fortes. Porque a anestesia não foi em grandes doses, um pedido meu e do meu médico, que me conhecia e queria que eu sentisse as contrações e soubesse quando deveria empurrar. O anestesista até perguntou se eu precisava de mais e eu não precisei. Respirava fundo, conversava com meu pequeno via pensamento e tinha a certeza de que tudo iria dar certo.

O obstetra me pediu para fazer força para ver se já era a hora. Era. Mais alguns empurrões e, antes das 23 horas, nasceu. Sem palavras para descrever o momento em que o mundo para. O momento mais mágico, feliz e divino da vida. Minha vida. Vida do filhinho que chega. Vida! Parto normal, calmo, sem muita dor, feliz. O depois foi tão tranquilo quanto o durante. A episiotomia, que foi necessária segundo o médico, doeu nos dias seguintes, mas não precisei nem de anti-inflamatório. Tudo volta ao normal muito rápido quando se tem normal.

Animal sim, máquina de parir nunca

Tenho que dizer que conheço mulheres que tiveram cesárea e se recuperaram de maneira perfeita, que não passaram problemas e que receberam nos braços filhos lindos, saudáveis e nem um pouco “amassados”. Conheço também quem tenha tido parto natural mesmo, sem anestesia, com dores suportáveis e sem necessidade de nenhum cortinho. Cada uma tem seu corpo, sua história, suas crenças, seu marido, seu médico. Mas todas sabem que o corpo da mulher é capaz de se transformar para abrigar um novo ser humano e, por isso, todas devem acreditar que, da mesma forma, este mesmo corpo também é capaz de ir além para parir.

Parto humanizado? Nunca deixamos de ser seres humanos, mas se é preciso rotular o tratamento médico que iremos receber para sermos tratadas como merecemos, que usem essa definição. Mas prefiro dizer só parto. E preferia que só essa palavra já garantisse um nascimento segundo as capacidades e limites que a naturezanos dá, e não conforme a produção em série da maternidade. Se dar um nome específico é humanizar alguma coisa, ok. Ainda sim, prefiro pensar no conceito de natureza, ou algo assim. Porque só se a natureza não quisesse facilitar, é que a ciência deveria ajudar. Só se precisasse, cortariam nossa barriga ou vagina. Só se houvesse necessidade, seríamos anestesiadas. Só se o bebê nascesse com problemas, ele não iria direto para o colo da mãe. Só se o pai não tivesse coragem, não seria ele a cortar o cordão umbilical. Só se. Caso contrário, deixariam a natureza agir. Ela sabe o que faz. E ela não quer nada que se distancie do humano, do ser humano, mesmo que haja a intervenção dele no episódio mais animal da vida. Sim, porque somos animais. Não máquinas. Pena que esquecem disso.


Alimentos para grávidas: 5 dicas para melhorar o cardápio

 5 dicas para melhorar o cardápio

Alimentos para grávidas têm muita importância durante toda a gestação, você já sabia né? Mas, pense comigo, não é só na gestação… Cada alimento, além de trazer benefícios para a gestante e para o bebê durante a gravidez, traz benefícios que continuam presentes na vida do pequenino que vai nascer. Da saúde perfeita à formação do paladar, feita lá atrás já na barriga da mamãe, e que só tem a ganhar na hora da introdução alimentar. E mais: caprichar na seleção dos alimentos na gestação traz ainda uma baita oportunidade de a mamãe se reeducar à mesa… Não sei como foi por aí, mas eu aprendi a comer direito quando engravidei do Léo!!!

Marcada por grandes mudanças, a gravidez é um excelente momento para a futura mamãe adquirir bons hábitos alimentares para garantir o desenvolvimento do bebê e ainda manter a saúde em dia. Mas, você sabe quais alimentos são indispensáveis na hora das refeições? Eu aprendi lendo, me informando… E, por saber o quanto começar a olhar a comida de uma forma mais atenta foi e ainda é importante na vida dos meus dois filhos (e na minha!), achei muito bacana esse material que recebi, com cinco dicas de alimentação para melhorar a saúde de futuras mamães e bebês! Confiram!!!

1 – Consuma alimentos que contenham ácido fólico

2 – Adote a proteína como alimento básico nas refeições

O consumo de proteína é importante durante toda a gestação, uma vez que o nutriente é essencial na construção e multiplicação das células e tecidos do bebê. Exemplos de proteína: origem vegetal: grãos (feijão, ervilha, grão de bico, soja, lentilha). De origem animal: leite e derivados, carne bovina, frango, peixe e ovos.

3 – Dê grande importância à água e aos sucos naturais

Beber água ou suco natural e consumir frutas ajudam a manter o bom funcionamento intestinal. O consumo de líquidos também colabora para a eliminação adequada de toxinas urinárias e previne infecções.

4 – Opte por alimentos naturais

Alimentos para grávidas

Dê prioridade aos alimentos in natura, como vegetais crus e frutas. Eles possibilitam um bom funcionamento metabólico. Exemplos: tomate, cenoura, repolho e alface e outros tipos de folhas verdes.

5 – Modere no carboidrato

O carboidrato deve ser consumido com moderação, pois, em excesso, é transformado em gordura corporal. Apesar do cuidado, jamais o suspenda totalmente da alimentação, uma vez que se trata de uma importante fonte de energia para a mamãe e o bebê. Exemplos de carboidratos: arroz, pães, bolachas, massas.


Agressividade infantil: como lidar?

Agressividade infantil

Mordidas, beliscões, criança que bate, que apanha, mostra a língua… Mães e pais sofrem um bocado ao lidar com a agressividade infantil. Prova disso é o sucesso de alguns textos no blog sobre esse assunto (veja no fim do post)! Outra prova de que não é fácil mesmo é que recebo constantemente mensagens de mães aflitas me pedindo ajuda – Só na última semana, foram 3!

Como de costume, quando uma leitora envia perguntas, posso escrever uma reportagem e/ou entrevistar especialistas, especialmente para responder as dúvidas dela, com embasamento e não só minhas vivências pessoais. É a coluna “Personal Repórter“: quando visto minha capa de repórter só pra você :)!! Dessa vez, juntei os três pedidos, e fui conversar com Pamela Greco, pedagoga formada pela UNICAMP e idealizadora do blog Pais que Educam – fofa, competente e dedicada, além de apaixonada pelos pimpolhos! Está passando por problemas semelhantes em casa, na escola, no parquinho? Confira os depoimentos das mamães e a opinião da especialista! A minha está lá no final!

1 – Olá Beatriz! Estava procurando ajuda sobre mentiras e beliscões e encontrei seu blog. Li vários post seu e decidi declarar minha angústia… Tenho uma filha de 6 anos, esperta, inteligente, carinhosa e de personalidade forte. Ela estuda há 2 anos com uma amiguinha na qual vem ocorrendo queixas frequentes de que minha filha belisca sua amiga e quando conversamos com ela, ela nega, só que a amiga está com “marcas roxas”. A amiga não conta, não reclama, não pede ajuda pra ninguém, só fala quando sua mãe vê e pergunta o que aconteceu. Depois de várias ocorrências desse tipo, a professora passou a observar melhor e confirma alguns relatos da minha filha, por exemplo: não brinquei com ela nesse dia, não fiquei junto, não sentei com ela, e a professora procura estar atenta nas duas… Infelizmente aconteceu algumas vezes da minha filha beliscar e omitir por muito tempo, até que num certo momento ela confessou que tinha beliscado. Converso muito com ela, peço ajuda às colegas, leio sobre assuntos, mas a situação permanece, as reclamações também, e quando questiono, ela nega… SOCORRO, me ajuda. Além de tudo sou muito amiga da mãe da amiguinha dela. E um detalhe: essas reclamações são só com esta amiga, ela não belisca outras crianças. Grata…aguardo resposta muito ansiosa!

Pamela: Nessa idade o ciúmes é muito comum nas crianças: das amigas, da mãe, do pai, dos irmãos mais novos e etc. Ao que parece – seria preciso analisar o contexto com mais calma: se nos basearmos no fato de que os beliscões acontecem só nessa amiga, pode ser ciúmes. As crianças precisam, tanto para o ciúmes quanto pra outros sentimentos, serem ensinadas sobre como lidar com o que sentem, senão a agressão física aparece (mordidas, tapas, empurrões, beliscões). O que eu sugiro:

  • Mãe e filha num papo aberto. Nesse momento a mamãe tem que ser clara, acolhedora, mas firme “Filha, eu não vou ficar brava se você me contar o que está acontecendo, mas precisamos conversar sobre isso. Quero saber de você, ok?”. Se papos assim forem fortalecidos, foi dado um passo para o “adeus a adolescência rebelde”. Se não funcionar – ou seja, não houver esclarecimento nesse momento – sugiro que as mães (que parecem ser amigas) sentem pra conversar também. Aqui vale sinceridade e lembrar que estamos falando de duas crianças, o que se pode querer para elas é a ajuda e não punição. E por fim, uma mediação de conversa entre amigas. As duas pequeninas conversando, orientadas por um adulto assertivo mas calmo, deverá esclarecer toda situação. É preciso primeiro descobrir porquê isso está acontecendo, pra depois explorar com as crianças possibilidades de resolução.

Se as conversas para resolução de problemas forem estimuladas desde muito cedo, em todas as relações da criança, a possibilidade dela usar de agressividade para resolver as situações é muito menor. Ensinar as crianças e identificarem seus sentimentos e lidarem com eles é fator essencial do bom desenvolvimento infantil.

Agressividade infantil

2 – Minha filha estuda em tempo integral e durante a tarde encontra com um garotinho da mesma idade que quase sempre bate nela. No início, eu dizia que ele não fez por mau, que foi sem querer. Depois passei a orientá-la que ele não podia fazer isso porque isso não era coisa de amigo e que ela conversasse com ele, depois que ela se afastasse, mas o garoto continuava a bater.Um detalhe muito importante: minha filha não bate em ninguém e costuma defender seu ponto de vista, seja disputando um brinquedo quando alguém tenta tomar dela, seja conversando com outras crianças e até mesmo adultos. Ela se expressa muito bem para a idade dela. Uma criança elogiada por todos na escola pelo comportamento e maturidade. Fui procurar a escola e conversar com a coordenadora. Ela comentou que ele realmente era muito difícil com muitas crianças, não apenas com a minha, mas que a escola já havia orientado a família a procurar um psicólogo e a escola também já estava tratando o caso dele. Mas ele continuava a bater. Então um dia, encontrei com a mãe dele na escola e resolvi conversar. Disse que já há alguns meses ele vinha batendo na minha filha, que não havia melhorado e que eu iria a partir de então orientá-la a dar o trôco caso ele continuasse a bater. A mãe dele disse que eles já estavam sendo orientados e que ele iria ao psicólogo. Realmente disse pra ela bater nele umas duas ou três vezes, mas esperei que o garoto evoluísse.

Chegaram a férias e, ufa!! Na volta às aulas, novamente está lá o garoto batendo nela. E novamente procurei a escola. Me disseram que ele havia tido uma tímida melhora, então por acaso encontrei a mãe dele na escola, tentei ter um outro diálogo com ela e fui super mal recebida. Eu estava tentando pedir a ela pra conversar com ele sobre o caso específico da minha filha, pois uma coisa é dizer: ” não bate nos coleguinhas”, outra é dizer: “não bata em fulano de tal…”Ela disse que não iria conversar comigo e que eu procurasse a escola pois ele já estava sendo acompanhado, e ela teve a infelicidade de ofender a minha filha de 4 anos dizendo: ” vai ver que é a sua filha que gosta de apanhar”. No mesmo dia, fui na escola exigir que não deixasse que o garoto tocasse na minha filha com violência. Logo no segundo dia, ela relata que o menino havia batido novamente. Sinceramente, já não estou com paciência e vontade de deixar que as coisas se resolvam na conversa e diplomacia. Como a reação da mãe foi no meu ponto de vista a pior possível, já estou vendo que o menino vai precisar de muito mais tempo para evoluir, pois o problema com a família dele deve ser sério. Já conversei com a escola por cerca de 6 meses e não foi garantida a integridade da minha filha, talvez por acharem que é coisa de criança, não sei… Minha vontade é de ir à justiça processar tanto a escola, como a mãe do menino pelo que ela falou da minha filha. Qual a sua opinião?

Pamela – Infelizmente – ou felizmente – não podemos entrar na casa de todas as pessoas que nos cercam e impormos nossos valores. Todos nós, na verdade, enfrentamos “valentões” todos os dias: É o chefe que explode e é hostil, é o colega de trabalho que intimida, é a pessoa no trânsito que grita e buzina sem motivo. Das duas uma: ou o garoto está precisando de limites impostos pelos pais ou está precisando sim de uma ajuda psicológica. Os pais têm desertado de sua função de estabelecer limites por medo de serem autoritários. Seja como for, outras crianças não podem sofrer as consequências dos atos dele, e é dever da escola garantir a integridade física de todos, um espaço em que possam se sentir iguais e seguros. Sugiro que não perca tempo procurando a outra mãe. Não sabemos o que ela está vivendo, ou se a personalidade dela compactua ou não com as atitudes do filho – e não poderemos mudá-la de qualquer forma. Aí acho que o foco deve ser atuar no problema! Pedir pra menina revidar só fará com que ela entenda que com certas pessoas não há jeito senão a violência. Acho que se ela está tão bem encaminhada na comunicação, seria uma pena fazer isso. O que ela deve é se defender, se proteger. Encontrar formas de não deixar o menino bater nela (até com barreiras físicas mesmo ou com a própria professora), e que ela diga em alto e bom tom “não vou aceitar isso, pare já” para o menino. De qualquer forma, isso não traz bem-estar para a pequena, então sugiro que a mãe tente uma última conversa com a escola, que precisa lidar com a situação.

3 – Olá , preciso de ajuda. Minha filha tem 7 anos e sempre vem da escola com marcas. Ela me conta que tem uma menina na escola que é como um xerife e que todas as outras obedecem por que a garota é violenta. Eu sempre converso com ela;  “filha conte a sua professora o que esta acontecendo para que ela tome uma atitude dentro da sala de aula”. Mas minha filha não conta pra professora dela de jeito algum, pois tem receio da menina bater nela e perder a amizade da mesma. Preciso de uma orientação. Obrigada!

Agressividade infantil

Pamela – O ideal é um papo com orientação pedagógica. Se a orientação tiver um bom aparato de trabalho, farão uma intervenção – dentro da sala dessa menina (sem fazer alarde para ninguém de que foi uma reclamação), e conversarão com as crianças sobre a agressividade, sobre formas de lidar com a raiva e o sentimento de posse. Se o problema persistir (é preciso parceria entre mãe e escola nesse caso pra saber se o problema está persistindo), então a professora deverá conversar com a mãe da aluna agressora, sem expor a criança que foi mordida, relatando apenas o problema, contando da intervenção, dos resultados e da necessidade de ajuda. Acho que é importante lembrar – se me permite o pitaco – que as agressões são “comuns” na infância: as crianças tentarão usar desse recurso vez ou outra, mas a mediação tem que ser feita logo para que ela entenda que isso é inadmissível, que fere o amigo. É interessante fazer as crianças pensarem no que o amigo agredido sentiu e que não é dessa forma que se lida com o que se sente.

Meus pitacos sobre tudo: 

Como a Pamela já comentou, não temos o poder de entrar na casa de cada um, persuadir famílias a educarem seus filhos ou mesmo a enxergarem o que seus filhos fazem ou deixam de fazer. E isso é pra sempre. Dói demais ver nossos pequenos sofrerem agressões por parte de amiguinhos que, a meu ver, não têm culpa alguma! Dói saber que os pais daquela criança não tomam atitude, e às vezes compactuam com o comportamento agressivo. Acreditem, conheço uma porção de pais e mães assim. Mas também deve doer ver um filho ou filha usando a agressividade quando não foi isso que você ensinou… Onde foi que eu errei né? Bem, isso não é pra sempre – pois, quando essa dor existe, estamos falando de pais conscientes, que se importam e que com certeza irão encontrar um jeito de ajudar o pequeno.

Temos que pensar que criamos os filhos para o mundo (como dizem por aí), e que, sim, eles ainda vão lidar com isso na faculdade, no mercado de trabalho, etc – sendo vítima ou atacando (por não saber fazer de outra forma?). Isso serve pra nos dar força para agir sem colocar redomas, e sim ensinando os pequenos a lidarem com a adversidade, diferenças, e com suas próprias emoções. Não estou falando só de quem “recebe o tapa”, mas de quem “dá o tapa” também por alguma razão. Sabe aquela história do “não importa o que fazem com você, mas sim o que você faz com o que fazem com você”? É isso! Há maneiras e maneiras de demonstrar o que se sente.

Agressividade infantil
boys are boys everywhere

Só faço um parênteses. Como mãe, sei que infelizmente tem horas que é preciso mudar o discurso. No meu caso, tive que dizer para Léo que ele poderia revidar na “mesma moeda” – caso não houvesse outra maneira. Foi para deixá-lo seguro a tomar suas próprias decisões. Por conta de todas as lições dadas por aqui, e da personalidade dele, Léo encontra outras formas de evitar o confronto e de se defender: aprendeu a se preservar. Não acho que o convite ao “revide” seja bom, mas… Minha dica é: conheça seu filho melhor que ninguém, converse com ele abertamente e com muito carinho, tente observá-lo como se não fosse a mãe, peça ajuda profissional, e escute a intuição. Assim, fica menos difícil saber qual atitude tomar!

Outros textos sobre agressividade infantil, publicados no blog:

Bulling na Escola: o que fazer? / Como ajudar o filho a se defender / Seu filho bate ou apanha? / O bater, o sofrer e o se defender / O que fazer se o filho bate?

Sobre nossa entrevistada:

Pamela Greco

Pamela Greco é pedagoga formada pela Unicamp, educadora com experiência em Ensino Básico e Ensino Não formal. Estudiosa irremediável de temas do Desenvolvimento Potencial Humano e do Desenvolvimento Infantil. Idealizadora do blog Pais que Educam, atua como palestrante, pedagoga particular em acompanhamentos, reforço escolar e cursos de desenvolvimento global.