Quando colocar a criança na escola

Quando é a hora certa de colocar um bebê ou uma criança na escola??? Logo no fim da licença-maternidade? Após 1 ano? Dois? Três – pra ir logo no maternal??? Quatro ou cinco, como era antigamente? Difícil saber.,, Cada um tem uma opinião, cada família uma realidade, e cada criança suas particularidades.

E tem casa da avó, da tia, serviço de babás e – hoje em dia – até creches particulares. Cá entre nós, escola muitas vezes acaba em último lugar na lista de possíveis escolhas dos pais! Exemplo claro são essas novas creches domiciliares, ideia que muito me agrada, embora não 100%. Não há outra razão para elas serem criadas por algumas mães (que querem se revezar no cuidado com os filhos com outras mães!), se não para fugir da escola tradicional. Vejam bem, estamos falando de fuga – entendem?

Tem quem vá ainda além, e invista no homeschooling – ensino em casa – até a faculdade. Mas vamos focar nas crianças menores. Aquelas que a gente mal desmama (se desmama!), que ainda chupam chupeta, dormem agarrados, não falam ou pouco falam, usam fralda ou acabaram de largar. O que fazer com elas? Largar tudo pra se dedicar a elas? Mas e depois? Que mulher se realiza profissionalmente depois? Como? Dá? E o dinheiro?

Não é segredo pra ninguém que optei por deixar a carreira de lado pra cuidar de Léo por 3 anos. É, ele só foi pra escola com 2 anos e 11 meses! Garanto que foi a melhor coisa que fiz. Agora, com Manu, cheguei a cogitar a escola, ela tendo apenas 1 ano e 4 meses. Desisti. Mas não estou aqui pra erguer bandeiras, ou pra contar a minha experiência. Não hoje. Queria apenas te fazer pensar. Nós podemos pensar sobre isso! Não?

Em vários países, a maternidade e a paternidade são tidas como essenciais na vida de um ser humano, e até para o futuro da nação. A Suécia, por exemplo, foi o primeiro país do mundo a aprovar a lei da licença paternidade e maternidade remunerada, em 1974 – que dava aos pais (veja bem, aos dois!), o direito de se afastar do trabalho juntos por até 6 meses. Separadamente, cada um tem até 1 ano de licença. E não só. Para não deixar que os homens transfiram seus dias para as mulheres, agora o país os obriga a dedicar 90 dias exclusivamente ao bebê!!! Tudo não só pela igualdade de gêneros, mas uma demonstração de que a educação passa sim pelas mãos dos pais (mães e pais!), e que valorizar isso é investir num futuro melhor – para cada um, e pra todos.

Não estou aqui pra dizer que isso é o certo e acabou. Estou de fato querendo mostrar que existem outras realidades diferentes da brasileira, e que podemos pensar fora da “caixinha” à qual estamos acostumados. Além disso? Acabei constatando que, ainda que intuitivamente em vários casos, temos fundamento ao querer “fugir” da escola nos primeiros anos de uma criança. Que tal lembrar que já é comprovado que os primeiros mil dias de vida têm influência sobre todo o restante da existência de um indivíduo??? Isso dá exatos dois anos, contando a partir da gestação…

E o que dizer sobre o sistema imunológico, que só está plenamente formado por volta dos 3 ou 4 anos? Colocar o filhote antes disso em contato diário com amiguinhos é aumentar as chances de ele ficar doente semana sim outra também. Pode não acontecer, mas você abre as portas antes do “ideal”, pelo menos sob o ponto de vista da defesa do organismo. Quanto à socialização??? Há ganhos, claro!!! Mas não há perdas se ela acontecer de outras formas, por enquanto.

Longe de mim dizer que está errado colocar na escolinha com 8 meses. Período integral? Curso de férias? Três vezes na semana? Não é meu papel. Mesmo. Só que fui escrever um texto sobre as razões que me motivaram a desistir da escola pra Manuela, e – quando vi – estava escrevendo tudo isso!!!! Falando pouco de mim, e muito do todo… Resolvi mudar o título do post, e guardar a minha versão pra depois.

Existem outros motivos para ela estar aqui comigo e não na escola (e o principal deles é o meu emocional mesmo!), mas apenas pensem comigo… E se tivéssemos apoio do governo pra cuidar de nossos bebês por mais tempo? E se todos os pais e mães tivessem condições de fazer escolhas? Estou falando de poder escolher – de verdade. E de dividir tarefas relativas à criança e à casa. De optar por não colocar na escola. Por não ter babá, ou mesmo por não dividir os cuidados do filhote com qualquer pessoa além do(a) companheiro(a).

O que faríamos se tivéssemos outras possibilidades?????????????

Admito que não existe resposta, e que cada núcleo familiar provavelmente agiria de um jeito. Cada casal priorizaria uma coisa, sentiria de um jeito. Mas, certamente, se houvesse apoio e oportunidade pra cada família ficar mais tempo com seus filhos, já nos faria pensar melhor não? Ou ao menos pensar? Não não… Nós já pensamos, mas como a via de regra é torta, não tem muito o que fazer. E a gente encerra o assunto (e para de pensar!), assinalando a “melhor” opção dentre as que temos.

Quando colocar a criança na escola

Se está vivendo esse dilema, sabe bem que não há um consenso. Que cada pessoa te aconselha uma coisa. “Ah, é bom porque eles ficam independentes”, “Ah, é tão novinha né?”, “Ah, é bom que já aprende a fazer amiguinhos”, “Ah, espera falar pra poder te contar o que acontece…”. Então pensemos cada uma com seus botões.

Reafirmo que cada criança é tão única quanto seus pais, e suas opiniões. Cada história não se repete, ainda que na mesma família… E é por isso mesmo que deixo um convite; pra que cada uma de vocês reflita e responda pra si mesma a pergunta do título. Esqueça o trabalho, imagine que você pode, que o marido também pode, que o dinheiro não vai fazer falta, que a única coisa que importa é o que você vai decidir sobre o assunto… Quando é a hora certa de uma criança ir pra escolinha?????