Angústia depois do parto: Tem nome, é normal e passa!

Era a manhã do segundo dia em casa com Manuela. Acordei (depois de quase não dormir) e sentei pra tomar café da manhã. Marido segurava Manu, e Leo assistia a um desenho na sala ao lado. O chá esfriava, e eu passava requeijão na torrada. De repente, um nó apertou minha garganta. Me faltou ar, chão, horizonte, calma. Desceram lágrimas, de tristeza, medo, cansaço. Pensava: “não posso fraquejar, tenho que cuidar de um bebê; o que faço com a responsabilidade?; será que consigo dar conta?, como consegui da outra vez?; quero dormir e comer, mas agora minha vida gira em torno dela!; minhas forças se foram no parto, de onde tiro mais?; vão ser todos os dias assim?”.

Angústia depois do parto

Se queria desistir? Voltar no tempo? Cancelar a cláusula da doação irrestrita que assinei ao parir? Não! Mas não posso negar que a angústia era gigantesca. Maior até que no primeiro filho, afinal agora eu precisava ser forte pelos dois! Marido tentava me acalmar, e eu também tentava me acalmar, mas uma palavra descreve bem aquele meu café da manhã, na ponta de mesa de jantar, acuada em meus próprios pensamentos, curvada diante de tanta maternidade: desespero!

Aos poucos, fui me tranquilizando, respirando mais devagar, cessando o choro, me refazendo, juntando meus cacos. Até porque não tinha muito tempo pra tudo aquilo; Manu mamava a cada hora. A única coisa que lembro de ter feito antes de assumir meu posto novamente é de ter ido ficar alguns minutos com o Léo no sofá. Parecia que ele me dava “força”. Ou me lembrava que tinha razões de sobra pra acreditar em mim. Ou me trazia pra perto da realidade anterior ao novo bebê.

Nos dias seguintes, tive mais alguns episódios de angústia e choro, muito choro. Não que eu não estivesse curtindo o bebê, ou feliz com a maternidade. Era como se a alergia e a melancolia fossem irmãs. Lembro de ter recusado um almoço em família e ter dito pra meu irmão “estou chorando muito, quero ficar quieta, você não tem ideia do que é o pós-parto.” Além de chorona, também me senti um pouco ‘presa’ dentro de casa, como não havia me sentido no primeiro filho. Coisa doida. Senti como se ‘alguém’ tivesse tirado minha ‘liberdade’ de repente – como se eu não soubesse que isso iria acontecer…

Eu sabia que era normal sentir o que eu estava sentindo, que a mudança hormonal, emocional e física que meu corpo acabava de passar me trazia de brinde essa avalanche de sentimentos. E isso me ajudou bastante. Devagar, passou. Parei de me sentir tão corcunda carregando tanta responsabilidade. Exatamente no décimo terceiro dia, meus hormônios pareciam ter me dado uma trégua, as emoções em montanha russa idem, e senti “passou”.

O curioso é que, com Léo, tive algumas sensações novas e inseguranças (como sensibilidade à flor da pele e medo de o bebê não estar respirando!), mas nada que me angustiasse ou me entristecesse como senti com Manu. Mas o que eu tive na vez dela tem nome: Baby Blues! E o que é isso? Em resumo, é um estado físico da mulher no pós-parto que resulta num estado emocional não muito esperado (mas plenamente normal) nessa fase tão linda. Por mais desesperador que possa ser, é possível sentir tristeza, vontade de chorar, angústia, medo, e a gente se perguntar “mas eu não deveria estar saltitante?”.

A resposta é não! Você não “tem que” estar nem de um jeito nem de outro – mas pode estar. O Baby Blues é como a tensão pré-menstrual; ocorre em algumas mulheres e por alterações hormonais, o que não é “evitável”. Mas, assim como a TPM, passa! Em geral, nos primeiros 15 dias depois do parto. E o que eu tenho a dizer pra você sobre isso é que se respeitar e respeitar o vai e vem de hormônios e sentimentos torna tudo mais natural e passageiro. Me ajudou imaginar que essa fase faz parte da construção da mãe que seremos dali em diante… No primeiro ou no décimo filho!


Aborto Tudo que você precisa saber

Este é um tema que envolve questões ligadas à ética, religião, direitos, valores … Enfim um tema polêmico e que está presente em todas os debates sobre sexualidade, saúde sexual e direitos reprodutivos. Na maioria das vezes, as discussões são realizadas de forma polarizada, com visões extremadas, sem levar em conta as intermediações necessárias para o melhor entendimento e compreensão desta questão.

O que é aborto

É papel dos/as educadores/as ampliar ao máximo esta discussão, trazer a pluralidade de opiniões e de situações, para que o tema não seja abordado de forma a reduzir a discussão no julgamento ou na posição de “contra” ou “a favor”. Esta é uma armadilha que devemos evitar. Nesse sentido, expomos aqui diversas informações e sugerimos algumas atividades que possam contribuir no planejamento dos debates sobre esse tema, que é frequentemente solicitado pelos adolescentes.

O que é o aborto?

Aborto é a interrupção da gravidez, e pode ocorrer de forma espontânea ou provocada. Aborto é uma questão de saúde pública e direitos reprodutivos. Quando falamos em cidadania, estamos falando de um conceito que ganhou, nestas últimas décadas, uma ampliação e abrangência para além dos direitos civis e políticos e dos deveres estabelecidos pela Constituição. Aos indicadores tradicionais da cidadania – liberdade de expressão, de organização e filiação partidária e o direito a votar e ser votado- somam-se o direito à educação, à saúde, à moradia, ao lazer, ao meio ambiente saudável, à informação e à igualdade sem discriminações de sexo, raça/etnia e de orientação sexual. Mais recentemente, outro indicador que se incorpora no conceito de cidadania é o reconhecimento dos direitos reprodutivos e do acesso a saúde reprodutiva. Essa conquista se expressa já na Conferência Mundial sobre os Direitos Humanos – Viena/1993 -, que reconhece que os direitos humanos da mulher , em todas as fases de sua vida, são inalienáveis; portanto, constituem parte integrante e indivisível dos direitos universais. Na Plataforma de Ação Mundial, elaborada na IV Conferência Mundial da Mulher – Beijing /1995 – o capítulo dedicado à saúde da mulher traz novos avanços:

• recomenda a todos os países a revisão das leis punitivas em relação à realização de abortos ilegais, e reconhece o aborto como uma questão de saúde pública.

Estas conquistas asseguram a função reprodutiva como um direito e não como função obrigatória ou mesmo como “destino” para as mulheres. Mesmo que os compromisso assinado pelos países presentes na Conferência Mundial da Mulher, inclusive o Brasil, ainda permaneçam mais no papel do que na prática, eles servem como parâmetros para decisões dos governos na área de saúde sexual e reprodutiva e, sem dúvida, representam a luta do movimento de mulheres e do movimento feminista, que sempre pautou a questão dos direitos reprodutivos, da autonomia das mulheres sobre seu corpo e da importância de políticas públicas voltadas para as mulheres na área da saúde, educação e demais setores.

aborto na adolecencia

E no Brasil, qual é a situação sobre o aborto?

Desde 1940, o Brasil, através do Código Penal, autoriza a interrupção da gravidez quando a mulher corre risco de vida, e em casos de estupro e violência sexual. Mas, mesmo nestes casos, ainda é insuficiente o atendimento. Nos setores públicos de saúde, são raros os hospitais que oferecem serviços para realizar o aborto legal. Para sanar esta deficiência no atendimento, o Ministério da Saúde, em 1999, assume uma postura mais ofensiva, e divulga uma portaria indicando que todos os hospitais públicos realizem esse atendimento. Segundo o Ministério da Saúde, o aborto é a quarta causa de mortalidade materna no país. São realizados aproximadamente 2 milhões e 400 mil abortos clandestinos, na sua grande maioria em locais sem as mínimas condições de higiene e segurança para a mulher, e que têm como conseqüência riscos à sua saúde – e, muitos casos, resultam em morte. O maior índice de mortalidade em decorrência do aborto realizado nestas condições se encontra nas mulheres pobres, uma vez que as mulheres ricas têm acesso a clinicas com condições adequadas de atendimento, mesmo que seja clandestino.

Estima-se que 10% dos abortos praticados no mundo sejam feitos por adolescentes entre 15 e 19 anos. Os dados do Brasil, de 1996, estimam 250 mil abortos em jovens menores de 19 anos. No Congresso Nacional, atualmente, existem 8 projetos de lei que tratam deste tema, indo desde a possibilidade da mulher decidir pela interrupção da gravidez como uma escolha sua até o caso de interrupção devido a mal formação do feto. No pré-projeto para a revisão da Parte Especial do Código Penal, foram consideradas como indicações de aborto legal: o aborto voluntário, por razões médicas, econômicas, sociais, familiares ou psicológicas; o aborto terapêutico; o aborto ético e o aborto em razão de malformações graves e irreversíveis do feto.

Um dos argumentos mais aceitos a favor da legalização do aborto no Brasil é que se trata de uma questão de saúde pública e um direito da mulher. A legalização do aborto não obriga a pessoa a realizá-lo, se isso contraria seus valores morais ou religiosos. As religiões existentes no Brasil assumem posições que vão desde a proibição terminante do aborto à sua aceitação. Discutir o aborto não é fácil! Para discutir este tema, deve-se levar em conta que, em nossa cultura, existem diferentes posicionamentos: desde pessoas e instituições que acreditam que o aborto é moralmente errado, até aquelas que entendem que a mulher tem o direito de escolha se quer ou não interromper a gravidez. O tema nvolve convicções, debate sobre autonomia, valores, preconceitos e entendimento das questões das mulheres. Aborto não é um método contraceptivo. Por isso, sempre que se fala em atendimento à saúde da mulher e direitos reprodutivos, fala-se do atendimento na rede pública que permita a mulheres e homens o atendimento integral em todas as fases de suas vidas, o acesso a todos os métodos contraceptivos e a interrupção da gravidez em condições adequadas e seguras.

O que fazer quando uma jovem é descoberta abortando no banheiro da escola?

Existem drogas, que foram comercializados inicialmente na forma de comprimidos para tratamento de úlcera de estômago e são usadas em hospitais para a indução de parto. São também usados ilicitamente para povocar aborto. Se a jovem provoca um aborto por qualquer meio, deve ser encaminhada a um hospital ou maternidade imediatamente, pois a hemorragia, nestes casos, pode ser intensa, e também porque pode haver risco de infecção. Sempre que uma garota provocar um aborto, deve receber apoio e aconselhamento para o uso de contraceptivos, pois é uma experiência traumática e arriscada, que não deve ser repetida.

O aborto não é um método contraceptivo. O melhor meio de prevenção da gravidez não planejada e do aborto entre os jovens é o diálogo aberto sobre a sexualidade, o prazer e a responsabilidade que deve acompanhar qualquer usufruto de prazer e informação clara e objetiva sobre os modos de evitar gravidez.


Como pintar móveis de madeira em casa?

Como pintar móveis de madeira em casa? A pergunta martelou na minha cabeça por meses até eu tomar coragem de colocar a mão na massa, sem auxílio profissional. Por quê? A razão por ela ter martelado na minha mente é o fato de que sempre me achei atrapalhada para artes manuais! Já o motivo de querer fazer tudo sozinha dessa vez se explica de diversas formas: não aguentava mais a cara de um aparador antigo que veio da minha sogra (você vai ver que sem graça ele estava!), não tinha grana pra pagar o serviço de repaginação, queria provar pra mim que conseguiria e, o mais curioso, eu estava grávida! Pois é, o início da gravidez (primeiros dias mesmo!) me deixou muito criativa – fértil, pra usar a palavra mais correta!
  pintar móveis de madeira
Se tem uma coisa que a maternidade fez (desde a gravidez do Léo) foi mostrar que posso me surpreender comigo mesma. Hoje vejo que consigo fazer coisas que antes achava que não poderia, que gosto de coisas que achava que não gostava e que levo jeito pra muita coisa que nem sabia! Então, como fiz com meus vasos-galochas e com as tags de aniversário do Mickey, aqui vai meu passo a passo “faça você mesma”, sobre o aparador reformado da foto! Pra encorajar mulheres que, assim como eu, não sabem por onde começar, ou até mesmo se têm aptidão pra coisa!
Acredite, todo mundo pode se surpreender! Papel e caneta na mão, e inspire-se! Você vai precisar de:
  • Lixa: ela vai ser sua melhor amiga – e aquela que vai te deixar mais cansada. Se tiver uma lixadeira ou uma amiga que tenha e te ensine a usar, ok. Mas se for na mão, como eu, compre uma mais grossinha. Eu usei a número 100, específica pra madeira.
  • Paninho úmido e seco: para limpar o móvel entre as demãos de tinta.
  • Primer: é como na maquiagem, e serve pra dar uma base para a pintura. O nome correto e conhecido nas lojas especializadas é Fundo Preparador para Metais e Madeira (de preferência, escolha da mesma marca que escolher a tinta).
  • Esmalte sintético à base de água: você pode escolher entre fosco ou brilhante, e eu fiquei com a segunda opção – acho mais bonito!
  • Verniz protetor para madeira em spray: pra proteger o resultado final!
  • Kit pintura: pode ser aquela bandeja que vem com dois rolinhas, pincel e tal. Só que aí o rolinha é de espuma, e eu preferi o de lã (você vai saber porquê). Na dúvida, tenha os dois tipos e dois tamanhos de pincel também.
  • Lençol velho e jornal: para forrar sua varanda, quintal, etc. Achei mais prático colocar o jornal embaixo e um lençol em cima.

E agora? Bom, fucei na Internet até achar orientações em que eu confiasse. Você pode fazer o mesmo! O meu é baseado em um blog que amo (fonte lá embaixo) e na minha experiência com o aparador ok? Agora, vamos ver como foi:

Lixe até o verniz sair e nada brilhar
Moveis antes da restauração
A recomendação é não ter pressa, mas quem consegue?  Se for preciso, pode dividir essa etapa em 2, 3 dias, mas quis fazer tudo em uma tarde. O importante é lixar até o verniz sair da superfície, pra reduzir o risco de a tinta descascar. Quanto mais lixado e poroso, melhor. Pra tirar a dúvida, veja se a superfície ainda reflete a luz.
Lixar móveis de madeira

Ufa! Agora é a hora de passar paninho úmido pra tirar todo o pó e esperar secar por meia hora. Depois do móvel seco, primer. Só que, dessa vez, esperei o outro dia. Minha dica; divida as etapas por dia. Em menos de uma semana, tudo estará pronto e você vai fazer cada uma com muito prazer.

Para passar o primer, pode usar pincel de dois tamanhos, para facilitar em locais maiores e menores (detalhe na foto).

Primeira mão pintar móveis de madeira

E, antes de pintar, o ideal é voltar a lixar todo o móvel de leve. É cansativo, mas ajuda a tirar as marcas de pincel e deixar o móvel bem lisinho para receber a tinta.

primeira mão fundo

Meu erro aqui (acho) foi ter passado uma demão apenas de primer. Não sei por qual razão achei que era suficiente. Mas a verdade é que, por causa disso, tive que passar muitas demãos de tinta (5) pra cobrir o fundo, repare.  E o acabamento não ficou exatamente como deveria. Acho que vale passar umas 3 de primer, até cobrir a cor escura do móvel.

…Mais um dia secando, e lá fui eu abrindo a tinta amarela! Queria porque queria essa cor!

Para a pintura, usei primeiro um rolinho de espuma e o mesmo pincel usado pra passar o primer (mas só para os detalhes mais chatinhos). Diluí um pouco a tinta (1/3 de água é o recomendado). Fiz no olho e em menor diluição (admito!) e, nas últimas, simplesmente deixei de lado a porção de água!  Pra mim, foi melhor quando estava menos diluído. O problema que surgiu no meio do caminho: bolinhas!

bolhas na restauração

Fui pesquisar a razão. Cada um diz uma coisa. Uns me recomendaram trocar o rolinha pelo de lã, e eu fiz isso. Ainda assim, não ficava tudo lisinho. Aí vi que outra alternativa (mais trabalhosa) é passar o rolo de lã com tinta e em seguida outro de lã sem tinta (pra tirar o excesso). Foi o melhor pra mim! Antes de pintar de novo, claro, lixei né? Assim o defeito ficou menos aparente e mais fácil de cobrir.

Acho que o fato de passar muitas demãos pode ter colaborado para formar bolinhas, mas há quem diga que é a espessura da tinta e não quantidade de demãos. Vou precisar fazer em outro móvel pra te responder… Detalhe que aprendi: o rolinho só deve ser passado poucas vezes sobre a mesma área, somente enquanto a tinta estiver molhada. Depois ela começar a secar e se você voltar a passar o rolinho, a tinta pode ficar com um aspecto granulado.

Outro conselho? Comece com a tinta pela pare mais difícil e menos aparente! Pra ir testando (e errando se for o caso!) onde aparece menos. Com exceção da aplicação do primer, virei o móvel de ponta cabeça, e dei todas as demãos nele assim. Só depois pintei o tampo.

primeira mão da da restauração

Enquanto a tinta seca, é importante reparar se nenhuma parte vai escorrer! Se isso acontece, basta usar o rolo com leveza para alisar.  Lembrando que esperava 24 horas pra pintar novamente!

No final, passei 3 camadas de Verniz Brilhante em Spray, específico pra proteger a pintura. Não gostei muito de aplicar, porque, como não tem cor, fica complicado ver onde caiu a nuvem de verniz. Da próxima vou tentar com pincel mesmo!

Ficou perfeito? Não. Mas honestamente ficou ótimo! Fez uma super diferença na minha sala, todo mundo que entra repara, realizei meu desejo de ter um móvel amarelo, provei que sou capaz, e gastei muito pouco pra promover essa mudança!

Olha o aparador pronto!!!

restauração pronta pes

Abaixo, fotografei a falha no acabamento que comentei lá no início: a pintura ficou meio craquelada. Mas nada que as pessoas reparem. Só quando passa a mão mesmo!

E agora ele no seu devido lugar! Na entrada de casa…

Pintura na madeira pronta
TINTA: esmalte sintético à base d’água Sherwin Willians – Cor: Citrus

Como adoro o programa Decora (GNT), apostei nas dicas do blog Casa de Colorir, da Talita (que tem um quadro no mesmo programa). Para conferir na íntegra, basta procurar no google.