Este post é o primeiro de um espaço criado para convidadas escreverem, com suas palavras, sobre como a maternidade as transformou. Para inaugurar a roda, convidei minha mãe, não só para homenageá-la, mas porque é uma mulher que sempre sonhou em ser mãe e foi muito jovem. Maria Angela, 61 anos, ex-professora, é empresária, divorciada, mãe de cinco, avó de cinco, realizada, feliz! Empurrando carrinhos há 40 anos, ela, com certeza, tem muito para contar.

“Sempre tive uma ligação muito grande com o feto”

Sempre acreditei que minha missão maior nesta vida é ser mãe, da cabeça aos pés, do começo ao fim! Cresci convivendo e brincando na casa de uma tia que tinha 7 filhos, cada filho tinha uma turma de amigos, de forma que lanchar lá, nas tardes de brincadeiras era uma festa! Nunca menos de 10 crianças…

Venho de famílias grandes, meu pai tinha onze irmãs e minha mãe nove. Famílias descendentes de italianos amorosos, unidos e muito festeiros, de modo que família feliz, para mim, era sinônimo de muita gente. Fui crescendo e já na adolescência, quando todos pensavam em profissão, eu sonhava com um futuro com muitos filhos, e pedia a Deus em minhas orações. Quando minha menstruação atrasava, fazia logo minha mãe me levar ao médico, por medo de que não pudesse ser mãe de muitos. Felizmente Deus me ouviu e na minha juventude, aos 21 anos , com um marido de 23 , fomos pais de uma menina.

Foi então que meus dons maternos começaram a se revelar, aprendi a tricotar roupinhas, costurar lençóizinhos, vira-mantas , frequentei curso de preparação para o parto, e foi a minha grande felicidade recebê-la em meus braços. Foi a minha princesinha que reinou absoluta por 2 anos e três meses. Sempre inteligente e esperta, falava o tempo todo, e com um aninho cantava “Meu Xodó”. Hoje ela é mãe de um casal.

Claro que em seguida vieram mais… 3 meninos. Aos 28, tinha 4 filhos. Aos 32 ,cinco. Como éramos muito jovens, pudemos vivenciar esta ninhada com muita disposição e alegria, trabalhávamos mas tínhamos tempo e muita disposição para brincarmos juntos, passear. Longas foram as manhãs no Parque da Água Branca, em São Paulo, com direito a baldes de areia, lanche e banho no tanque do parque. A programação era intensa: Zoológico, exposições de animais e, finalmente, os quartos recebiam pintinhos e coelhinhos ao pé das camas.

Eu era feliz… Tinha conseguido a minha fila de crianças que corria pela casa atrás de bola, atrás do cachorro ,do pintinho, fila aguardando o bolo assar, fila para o banho nos banheiros dos campings, fila para tirar piolho da cabeça… Uma verdadeira festa! E uma aventura e tanto, que começa na gravidez dos meninos. Na verdade sempre tive uma ligação muito grande com o Feto e pressenti a vinda dos machinhos. Aguardava com certa ansiedade e queria que fossem espertos, arteiros, inteligentes, com muita vivacidade, como o personagem Pimentinha dos gibis da minha infância, que me divertia com suas histórias derrubando a pilha de latas do supermercado, deixando os pais em situações embaraçosas.

Moleque tem que ser MO_LE_QU E: tem que curtir, subir, correr, pular, experimentar, tentar, cair, atirar… Eu curtia a barriga crescendo na certeza de que teria o “tipinho de gente” que eu queria. E eles chegaram um a um de acordo com a encomenda. O número 1 dos moleques, o jogador de futebol, corria como um raio. Atravessou porta de vidro e tem pontos por todo lado. Na escola ,era o campeão de observações no diário de classe, eu não vencia assinar: esqueceu o livro, não fez a tarefa completa, mordeu a mão da professora, não amarra o tênis. A estante de livros foi um excelente lugar para experimentar uma fogueira. Adorava patinar, começou patinando na água e… pontos na língua com direito a tomar leite espirrado de uma mamadeira por uma semana. Mais crescido, prendeu o dedão do pé na bicicleta e teve um reimplante, mas na recuperação de cadeira de rodas encantava a todos no hospital. Hoje é administrador de empresas e trabalha com consultoria, dá aulas de gestão empresarial, pai de um casal.

Depois deste, resolvi na gravidez do segundo menino fazer um curso de Comunicação com o Feto antes do nascimento porque estava muito claro para mim que eu me comunicava MESMO… Então tinha que caprichar mais na encomenda! Com sessões de relaxamento, sob orientação de um profissional que acreditava na comunicação do Feto antes do Nascimento, fui cobaia de uma experiência que acabou sendo matéria apresentada no Programa Fantástico em 1976. Nestas sessões, eu conversava com o meu feto e dirigia a ele o meu amor e orientação para que ele fosse saudável, inteligente, criativo, sensível, com dons para idiomas, artes, esporte, com valores humanitários, e menos arteiro. Nasceu o segundo menino. Menos arteiro, com menos anotações no diário escolar, campeão no Skate até quebrar um braço, e cuidador dos irmãos. Aprendeu tocar guitarra sozinho, a falar inglês, espanhol, a jogar capoeira. Hoje é psicólogo do esporte, fala inglês fluentemente, espanhol, é professor de Capoeira, toca e canta em bares.

Ah … O terceiro menino veio tão em seguida ,11 meses depois, que mal pude me concentrar na preparação, mas já esperta, me concentrei numa misturinha. Ele seguia os dois mestres: na arte e nos esportes. Voltado para experiências de cortar perna de rãs, dar injeção de detergente em minhocas, montar e desmontar coisas, espiar as amigas da irmã tomando banho e atirar pedra nos vidros da vizinhança. Fanático por bicicleta. Começou com um triciclo que ele experimentou na loja e não quis sair de cima, deixando minha mãe doida. Ele cruzou as pernas envolvendo o brinquedo e minha mãe não teve alternativa a não ser pagar e empurrá -lo de volta pra casa. Xodó do avô que curtia as artes dele, cresceu aventureiro, muito carinhoso e namorador. Hoje é Arquiteto, com especialização em conforto ambiental e ciclista. Já viajou a Costa do Brasil toda de Bicicleta, e se prepara para uma volta ao mundo.

E falta um, vocês me dirão… Sim, a número 5, que chegou depois de 5 anos do penúltimo e foi a mais mimada. Loirinha de olhos azuis como um anjo, veio para acalmar e fazer feliz a todos que a aguardavam. O Nome? BEATRIZ. Significado? A que faz feliz. Era o centro das atenções. Bebê da irmã mais velha e companheira dos irmãos que a tinham como refém nas brincadeiras, que terminavam com ela amarrada na cadeira pedindo ajuda. Obediente, meiga, cresceu voltada para dança, teatro e leituras. Hoje é jornalista e revelou-se excelente mãe. Por quem fui convidada a escrever neste blog de sua autoria.

Tenho a felicidade de ter cultivado ao longo da vida um excelente relacionamento com meus filhos, com muito amor, respeito, entre acertos e erros. Pude acompanhar passo a passo, cada um em suas artes, angustias, dificuldades, conquistas. Pude socorrê-los e apoiá-los por todo o caminho percorrido, e vou continuar até o fim dos meus dias. Conheço a cada um… no olhar… nas atitudes… na textura e temperatura da pele. São os meus verdadeiros tesouros dados por Deus.

A maternidade me aprimorou ao longo da vida, me levou a cultivar sentimentos nobres como Compaixão, Altruísmo, Humildade, Paciência. Por um filho perseveramos, lutamos e nos superamos. O filho nos aproxima do Amor Perfeito. É a Bênção maior que Deus nos oferece para nos aperfeiçoar. Agradeço todos os meus dias por ter sido agraciada com 5 e ter realizado o meu sonho.