O blog dela foi um dos primeiros que conheci. Logo fiquei assustada. Mamãe tá ocupada!!! Como assim??? Para mim, na época com filho de menos de dois anos, mãe nunca poderia estar ocupada. Muito menos dizer isso em público, ou melhor, fazer da frase o nome de um blog! De post em post, constatei que a blogueira está mesmo ocupada. Com a maternidade!

Ela se dedica integralmente a três filhos (número de exclamações que coloca no título do blog): Manuela, de quase cinco anos, e os gêmeos Joaquim e Pedro, de três. Mas, mesmo apaixonada pela atual ocupação, prova o que eu mesma tive que admitir…que uma mãe pode e deve se ocupar com outras coisas além dos filhos. Com ou sem culpa. Quase sempre com sono! Com vocês, a convidada do Cabeça de Mãe de hoje: Camila Colla Duarte Garcia. E, como já devem imaginar, mais um de seus textos deliciosos, simpáticos e verdadeiros.

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Entre um bocejo e outro, ela… a culpa

Interessante pensar nessa mudança de “vida de não-mãe” para a “vida de mãe”. Nesse próximo mês de Junho, completo 5 anos de maternidade extra-uterina. São 5 anos sentindo sono. E culpa também.

Não sei se sono e culpa são itens obrigatórios na mala de maternidade, mas no meu caso, são sim. Claro que há fases, assim como as manhas, birras, dificuldade para comer, para dormir e etc, mas entra fase e sai fase, o sono e a culpa sempre permanecem, não passam nunca. Às vezes estão mais intensos, outras, mais leves, mas nunca saem de cena.

Antes de ser mãe, eu via as mulheres mãe cansadas, com sono, olheiras e culpadas e achava que aquilo era um verdadeiro martírio, que elas “forçavam” aquela cena toda, por que para ser mãe, a gente mais ou menos sabe, tem que sofrer! Tem que ter muito trabalho, pouco tempo para si, para o marido e, claro, reclamar disso tudo.

Hoje, entre um bocejo e outro, vejo que não é nada disso. Eu sinto sono e culpa sim, ué! E daí? Não sei se essas duas pragas coisas são itens obrigatórios, mas fazem parte da vida de mãe. Para algumas, mais. Para outras, menos. Em alguns momentos, com muita força. Em outros, levemente presentes.

Eu sinto culpa por sentar e montar um quebra-cabeça com a minha filha, enquanto os meus filhos estão brincando de massinha sozinhos. Mas não sinto culpa por deixá-los com as avós e ir viajar com o meu marido. Eu sinto culpa quando escolho um dos meus filhos para ser o meu “ajudante” na hora de preparar as lancheiras para mais um dia de escola. Mas não sinto culpa alguma por deixá-los com a babá e ir jantar com as minhas amigas. Eu sinto culpa por dar mais atenção e cuidados a um filho doentinho e deixar os outros “se virarem” um pouco sozinhos. Mas não identifico nenhum pingo de culpa quando tiro uma tarde só para mim enquanto eles estão na escola.

Então, percebo que a minha culpa refere-se a esse fenômeno das mães de mais de 1 que é precisar se dividir e se multiplicar o tempo todo para dar conta das demandas exigidas de 3 filhos. Não sei a impressão de vocês, mas me parece uma culpa um tanto específica. Não é o caso de equilibrar pratos para dar conta de casa, filhos e marido, são simplesmente os filhos, que demandam e exigem de modo diferente e exigente.

As brincadeiras, para o meu desespero, confesso, na maioria das vezes não são apenas de “menina” e de “menino”, é mais do que isso: elas acontecem em quartos diferentes e sou participante obrigatório em ambos. E daí? Me divido ao meio? Providencio um clone? Ou abuso da minha capacidade de negociar e argumentar?

Acho que a vida de mãe tem uma ampla nuance de cores e vocês podem achar que eu apresentei aqui as cores mais sombrias, mas, por favor, não vejam assim, não é isso! Se existe um lado muito cor-de-rosa, ou qualquer cor que nos surpreenda e nos leve a emitir um “uau!” é o das pequenas situações do dia-a-dia, especialmente das não desejadas ou programadas.

Olha só que injustiça: fiquei doente! A gente sabe que mãe não deveria ficar doente, que as vacinas mais potentes contra todas as doenças do mundo deveriam fazer parte da mala que a própria mãe leva para a maternidade. Mas, não. Então, tava lá, um caco de mãe, que se arrastava, dor de garganta, de cabeça, no corpo, os olhos que mal conseguiam ficar abertos. Manuela, Joaquim e Pedro me olharam com pena, trouxeram a malinha de médico de brinquedo, cuidaram um pouquinho de mim, quiseram experimentar o meu chazinho com mel e limão e entenderam tudinho. Brincaram lindamente a manhã inteira no quarto, sem brigas, gritos ou disputas por brinquedos, tudo fluiu muito bem, obrigada, meus filhos. Eles apresentaram uma maturidade, respeito e solidariedade comigo que eu nunca havia presenciado. Fui às lágrimas de orgulho e emoção.

São essas as coisas que só uma vida de mãe nos proporciona. E, é claro, ficar meio moribunda uma manhã inteira diante da TV, sem forças para levantar, pegar o controle remoto e mudar de canal. As crianças no quarto e eu assisti toda a programação da manhã da Discovery Kids.

Ah, e o sono? Nenhuma especificidade ou explicação para isso. Eu sinto muito sono e ponto final.