Volta às aulas pra criançada é época de alegria para as mamães? Nem sempre. Por isso, hoje é dia de ajudar uma leitora que está com problemas na escola do filho! E o problema é bulling, e a continuidade dele. Como acabar com isso?

Bullying na escola: o que fazer?

Ela pede ajuda porque não está satisfeita com o que anda acontecendo com seu pequeno, de sete anos, vítima de bulling na escola. Segundo nossa querida (que prefere não ser identificada), os educadores não fazem muita coisa, os colegas do garoto não param e, o pior, ela trabalha na escola e vê tudo, mas não sabe o que fazer!

“Meu filho sempre apanhou na escola e ninguém nunca falou nada. Ele chegou em casa arranhando, mordido e faltando pedaço por beliscão, chora muito. Ele não sabia se defender, só chorava, agora começou a bater, se revoltou e disse que não adianta contar para tia porque ela não fala nada, que ele cansou de apanhar e que vai descontar. Já conversei com a direção, equipe, professora. De tanto conversar com a professora acho que ela não gosta de mim, pois não dá a mínima quando converso com ela, como se o meu filho fosse sempre errado ou então eu a mãe mais enjoada do mundo. Converso com ele para se afastar, ele faz acompanhamento com psicólogo e toma remédio para nervo com acompanhamento de neuro. O que eu faço?

Complicada essa situação não é? Por isso, ativei meu lado repórter pessoal e fui conversar com quem entende não só do assunto criança/escola, mas também dos conflitos da maternidade desde a gravidez: Maria Cecília Schettino, psicóloga, autora do blog Maternidade no Divã e uma querida! Já de cara ponderou: não conhecendo a mãe, a escola e a criança, fica muito difícil interferir. Claro, a gente vai responder ao pedido de ajuda, mas não sem antes reforçar que o que escrevo nesse post (com base na entrevista e em minhas opiniões pessoais) são apenas sugestões e dicas baseadas no que podemos imaginar que está acontecendo e no que geralmente é recomendado fazer nestes casos ok? É importante que essa e outras mães que passam por situação parecida procurem ajuda profissional de fato – seja na própria escola ou num consultório. Se já existe a ajuda e nada muda, talvez seja o caso de procurar outro profissional ou repensar a postura diante do problema.

Segundo Maria Cecília, não é novidade que existem crianças malvadas, assim como também sabemos que os pais desejam proteger seus filhos de todo o mal. “Mesmo sabendo que essas coisas vão acontecer e que eles vão se recuperar, pais não querem vê-los desapontados ou magoados. Ver isso acontecendo tão cedo e com tanta intensidade é especialmente cruel”, disse. É fato, muitas vezes dói mais na gente do que neles… Mas é preciso saber qual é nosso papel nesse contexto.

Uma mãe não pode prevenir os agressores de praticarem bullying e, às vezes, é necessário deixar o filho agir, armado do que podemos ensiná-lo: confiança em si mesmo e no amor de seus pais por ele. “Não estou sugerindo que os pais sejam passivos, e deixem nos ombros das crianças toda a responsabilidade. O que os pais não devem fazer, não importa a idade da criança, é supor que isso é coisa normal, de pouca importância, e que vai se resolver sozinha. Toda criança tem o direito de se sentir segura na escola.” Entendo isso como: não estimule a violência, mas não deixe que seu filho sinta-se sozinho nas decisões e atitudes.

Agora sou eu, baseada na minha experiência dizendo. Sabe aquela coisa do “finge que não vê quando ele revidar?”. Infelizmente, quando temos filhos bonzinhos demais tem horas em que é preciso que ele descubra uma maneira de se proteger. Não falo em estimular violência, mas em entender se essa for a forma que ele encontrar de se preservar num primeiro instante. Como já escrevi sobre isso, Léo é do tipo que ‘apanha’, e sempre busquei orientá-lo a se afastar e não devolver na mesma moeda. Mas, diante de situações repetitivas, tive que dizer a ele que eu o apoiaria se ele revidasse. E que, às vezes, mesmo a gente sendo bom, as pessoas não nos respeitam e que, sim, a gente pode mostrar pra elas como isso é ruim. Ele nunca revidou, mas a partir daí se sentiu seguro para falar mais, discutir e dizer o que sente para o coleguinha. Não passou a agredir, mas a se impor. Acho que fiz certo!

A psicóloga explica que se o filho está sofrendo bullying, os pais devem lembrá-lo de que não é culpa dele, e que não está sozinho. É também importante para as crianças identificarem sentimentos e saber que podem falar sobre o que sentem. Por isso, os pais podem falar sobre seus próprios sentimentos (eu sempre falo…). “Devemos ajudá-los a desenvolver habilidades de inteligência emocional e ensinar a diferença entre ser assertivo e agressivo, forte e mau”, sugere Maria Cecília.

Segundo ela, é preciso ajudar as crianças a fortalecerem e elevarem sua auto-estima, pra que se tornem cada vez mais confiantes e seguras. “Quanto melhor o seu filho se sentir sobre si mesmo, menos o bullying o afetará”, explica. Como fazer isso? Incentive hobbies, atividades extracurriculares e situações sociais que trazem à tona o melhor da criança. “Amizades sólidas e aliados podem ajudar a suportar o peso de um valentão”, lembra a psicóloga.

Mas e a escola, onde fica nessa história? Acredito que é bom procurar uma instituição que valorize a relação com os pais e que se mostre ciente do quanto o bullying pode ter consequências traumáticas para a criança; levando a baixo rendimento escolar, baixa auto-estima, ansiedade e depressão. Como saber se os educadores estão agindo corretamente? Pra mim, o único jeito é se fazer presente e consciente do que acontece em sala de aula, como faz a leitora que me escreveu. Acredito que se os profissionais não nos “correspondem”, não nos amparam ou até mesmo não nos “puxam a orelha” já é sinal suficiente de que não existe uma “relação” e, portanto, lá não é o lugar ideal para a formação da criança. Eu, no lugar dessa mãe, repensaria a escolha da escola.

Na prática, Maria Cecília explica o que uma instituição de qualidade deve ou não fazer: ”Muitas escolas ignoram o bullying por não saberem como agir nessas situações. Ignorar é fingir que não existe e, se não existe, nada precisa ser feito”. Segundo ela, a abordagem correta para os atos de agressões persistentes, é entrar em contato com os pais do agressor. Isso quando estes pais parecem ser receptivos e trabalhar de forma cooperativa. Ou seja, em casos isolados, a escola pode e deve agir sozinha. E, sim, existem pais nem um pouco preocupados em colaborar ou assumir responsabilidades.

Por isso, uma dica de ouro pra praticar em casa e tentar evitar que seu filho seja vítima de bulling e, o que é pior, sofra muito:

– Que tal dizer ao seu filho as qualidades singulares que você ama sobre ele, e experimentar reforçar comportamentos positivos que você gostaria de ver mais, uma vez que geralmente nos concentramos em situações negativas e broncas? As crianças compreendem melhor quando são elogiadas e quando seus bons comportamentos são reforçados. Sublinhando os pontos fortes e incentivando conexões saudáveis com os outros pode elevar a auto-estima e aumentar a confiança da criança a longo prazo.

E uma última opinião da especialista, pra gente refletir:

“Bullying é um problema mundial e sério. O que uma vez foi posto de lado como um rito de passagem, uma prática comum de crianças e jovens, é agora entendido como um problema potencialmente catastrófico. Em todo o planeta já é considerado um problema de saúde pública. Deve-se reconhecer que o bullying não vai parar até que todos concordem em não tolerá-lo.”

:)

…Querida (e todas as que procuraram ler este texto por alguma razão); espero ter ajudado de alguma forma! Sorrisos e chega de bulling!

# Nossa entrevistada: Maria Cecília Schettino, psicóloga graduada pela PUC-Rio. Além do consultório particular, atua na área da Psicologia Perinatal, no Rio de Janeiro e mantém o blog www.maternidadenodiva.com