Com certeza você já ouviu falar do Bisfenol A, mais conhecido pela sigla BPA certo? Mas você conhece o Bisfenol S, ou o BPS? Eu não conhecia, até saber de um estudo super recente, da Universidade de Calgary, no Canadá, sobre os riscos da substância para a saúde! Pois é, mais uma sigla pra ficarmos de olho na hora de verificar rótulos de produtos de amamentação e puericultura. Porque, ao que tudo indica, o Bisfenol S é tão vilão quanto o A – e o problema é que tem sido usado como alternativa ao primeiro, cujo uso já é proibido na fabricação de mamadeiras e outros produtos para bebês em diferentes países.

BPA free?

Antes de mais nada, gostaria de lembrar que, além de desabafos, relatos e dicas, esse blog é espaço para informação. Mas, que fique claro, antes de divulgar qualquer coisa, penso duas vezes – até porque, além de blogueira, sou jornalista, e me vejo na obrigação de checar informações. Neste caso específico, não há tantos dados, mas encontrei mais pesquisas a respeito além da canadense! Então, por mais que o assunto “BPS” ainda não esteja sendo muito discutido, achei por bem trazer esse alerta aqui! Vamos aos fatos.

Pra quem não lembra, o Bisfenol A (BPA) é uma substância química conhecida como hormônio artificial, que age como um estrogênio artificial. Ele está associado diretamente ao desenvolvimento do câncer, diabetes tipo 2, depressão, doenças cardíacas e uma série de outras doenças. É perigoso principalmente se absorvido na gestação, primeira infância e infância.

Já os riscos do uso do BPS foram analisados em um estudo com testes em peixes realizado pela Universidade de Calgary, publicado na PNAS (publicação oficial da Academia Nacional de Ciências dos EUA) em janeiro deste ano (super recente!). E a conclusão foi que a substância pode afetar o desenvolvimento do cérebro, levando à hiperatividade. Outro estudo que encontrei, da Universidade do Texas, EUA, também divulgado em janeiro, expôs os ratos aos níveis de BPS equivalentes aos que as pessoas estão expostas. Conclusão? Baixas concentrações são suficientes para alterações no sistema hormonal, o que aponta que a substância pode ser prejudicial à saúde humana.

Sim, muitas mamães ainda não sabem, mas o Bisfenol S (BPS) parece mesmo ser tão perigoso quanto Bisfenol A (BPA). O problema é que não há tanto alarde sobre (pois tudo indica que os pesquisadores ainda lutam contra o A) e que o S pode ser usado! “Como o BPA foi proibido, muitos fabricantes começaram a utilizar o BPS, que também é um hormônio desregulador usado como um plastificante e provoca riscos à saúde do bebê e da criança”, explicou pra gente a pediatra Kelly Oliveira (quem me sugeriu a pauta).

O que fazer? O conselho é continuar verificando o rótulo de todos os acessórios de plástico utilizados na rotina do bebê, como bombas extratoras de leite, recipientes para armazenamento de leite materno e toda linha de introdução alimentar como mamadeiras, talheres, copos e pratos… Não basta ser “BPA free” (livre de BPA), mas também de BPS. Só que, nesses poucos dias que testei ficar atenta, não encontrei nenhuma informação sobre o segundo tipo. Nada que dissesse “livre de BPS”, embora alguns já sejam.

Moral da história: sem pânico e sem tantas certezas, quanto mais longe de plástico melhor! A dica é preferir o armazenamento e/ou aquecimento de líquidos e alimentos em potes de vidro, cerâmica e porcelana.