Bebê que chora é culpa da mãe

Faz tempo que tenho a sensação de que o problema da minha filha sou eu…

Estou falando de choro.E de culpa. Manuela chora. Muito. E não fica no carrinho acordada de boa não… Nem no berço. Com exceção de alguns minutos do dia, não fica. Funciona da seguinte forma: quando está acordada, ou está mamando, ou estou trocando a fralda, ou está “conversando” e olhando as coisas, ou chorando.

Até aí, um bebê normal. Só que o tempo que ela fica quieta e distraída acordada é, digamos, menos da metade do tempo que ela gasta mamando, trocando, ou chorando pedindo por alguma coisa. E essa alguma coisa invariavelmente passa por mim: meu peito, meu colo, meu cheiro – com um intervalo ínfimo pra se distrair com algo no colo do papai.

Muito desse chororô é por conta das cólicas – que dizem por aí que “já deveriam ter passado!”. E acho que por conta personalidade dela também. Também fiquei sabendo essa semana (através de uma amiga) que bebês choram de duas a três horas por dia, mesmo se atendidos em todas as suas necessidades… Então, deve ter essa também, mas preciso cronometrar, porque acho de verdade que ela ultrapassa essa regra.Então me pergunto: por quê?

Deixando de lado a resposta (que não sei mesmo!), a solução encontrada por uma mãe mamífera que sou – e que não acredita que deixar o bebê chorando seja a solução – é dar o que ela pede. Sempre. E aí não me sobra muito tempo pra descanso, pra fazer outra coisa, e até mesmo dormir.

Sobre dormir tem mais. Ela dorme no berço e no carrinho. Mas na grande maioria das vezes, acorda rápido. E não volta a dormir se não dou colo. Até no colo as vezes fica difícil ela se entregar ao sono. A tática da mãe? Tentar o berço e o carrinho, claro. Mas priorizar o jeito que ela descansa mais, e eu também. Ela amarrada em mim no sling, dormindo no colo (demoramos horas até encontrar “A” posição), ou na mesma cama – juntas.

Resultado disso, como pode imaginar, é que fico esgotada e muitas vezes acabo “reclamando” ou chorando mesmo – apenas colocando pra fora sentimentos de impotência e exaustão que tomam conta de uma mãe de um bebê que chora bastante. Até aí, mãe também normal né?

Só que reparo que as pessoas com quem desabafo ou que presenciam de alguma forma meu esgotamento físico e mental, entre outras coisas, me perguntam se eu não deveria deixar a Manu mais no berço ou carrinho para que eu possa descansar – e ela acostumar. Como se eu não quisesse que isso acontecesse!!!

A minha resposta é a seguinte: se ela está grudada em mim é porque pede por isso, porque está chorando, porque não fica calma no canto dela. Se não, estaria sim no carrinho, no berço, no tapete de atividades…

Aí entra o título deste post. Eu sei que as pessoas só querem ajudar, mas a impressão que tenho é que a culpa da minha filha chorar tanto é minha!!! Que eu não sei cuidar, acalmar, ou seja lá o que for. Já sinto isso sem ninguém falar nada, imagine dando a entender! O problema parece ser eu. E fico chateada, mesmo sabendo que – de verdade? – não é isso… Porque só eu sei o que passo com a Manu, bem como o que passei com Léo. Só eu e outras mães que também passam por isso. Difícil explicar pra quem não tem filhos ou, pior ainda, pra quem tem e não experimentou as “delícias” de um bebê exigente e/ou com cólicas.

Bebê que chora é culpa da mãe

Não precisa falar nada, eu sei, eu que sou a mãe superprotetora e maluca que quer ficar com a garota o tempo todo… Eu que erro… Está nas entrelinhas.

Aí pergunto: se você fizesse de tudo e não conseguisse ter um bebê calmo, faria o quê??? E se, você que não tem filho ainda (ou na próxima), for sorteada com um exemplar exigente, “coliquento”, e chorão como os meus??? Vai deixar chorar no berço por cinco minutos, depois dez, depois quinze até ele se conformar que você não vem? Respeito. Mas por favor me respeite também. Eu não faço isso. E reclamo sim. Porque sou humana, imperfeita e amo meus filhos de tal forma que me entrego de corpo, alma e tudo o mais a essa experiência extenuante chamada maternidade – a ponto de ter o direito de reclamar muuuuuito!